• Lucas Leierer

Como Desenvolver Disciplina no Yoga



Vamos começar com dicas práticas que fazem toda a diferença:



  • Crie um ambiente propício para a prática;

Organize um lugar que seja espaçoso, silencioso e bonito. É importante que praticar seja "fácil" e convidativo. Se você precisar arrastar móveis e tirar carpetes toda vez que for fazer Yoga - naqueles dias em que a preguiça estiver maior - isso será uma boa desculpa. Finalize com o toque especial: objetos que tenham significado para você (velas, imagens, cristais, flores, instrumentos, etc).


  • Coloque o Yoga junto de outra atividade já estabelecida na sua rotina;

Assim você vai criando uma associação na sua mente. Por exemplo: fazer 20 minutos de posturas antes do café da manhã; meditar antes de dormir; estar atento a minha respiração enquanto caminho para o trabalho, etc.


  • Possível é melhor do que ideal.

Crie metas que você seja capaz de honrar, vá aumentando o comprometimento aos poucos: isso evita frustração e ainda cria espaço para que você vá percebendo os benefícios, querendo - naturalmente - aumentar a duração e a frequência daquilo que te faz bem.

  • Lembre-se: o Yoga não se limita a práticas de posturas, respirações e meditação.

Essa é apenas uma parte (inicial) do caminho, a ponta de um grande iceberg. Assim sendo, mantenha-se vivendo o Yoga profundo mesmo fora do tapetinho: esteja atento aos seus pensamentos, direcione palavras e ações amorosas ao próximo, dedique-se à contemplação das coisas simples, reconheça os seus privilégios e bênçãos, seja capaz de agradecer!


Na minha própria vivência, utilizo o seguinte método: não passar mais do que 3 dias sem praticar; e me comprometer com novos desafios por, no mínimo, 21 dias seguidos. Que tal experimentar e ver se funciona para você também?

Conscientes desses pontos práticos, estamos prontos para entender aspectos mais profundos desse tema. Podemos completar nossa compreensão olhando para os textos sagrados do Yoga, onde existem dois conceitos que irão nos ajudar, falando claramente sobre como construir sua jornada com êxito.


A receita, segundo Patanjali (o sábio que codificou a filosofia Yogi como a conhecemos hoje), é: somar um punhado de disciplina (abhyasa, em sânscrito) a uma porção igual de desapego (vairagya).

Disciplina remonta à ideia de estar aberto e receptivo para um conhecimento. Aprender, colocando-se na posição de discípulo; disposto a dedicar-se ao estudo de forma regular e constante por um longo período de tempo. Desenvolver essa qualidade - embora pareça simples - na verdade, é uma das maiores dificuldades para aprofundar-se no Sadhana - a sua prática pessoal.


Abhyasa e Vairagya são as engrenagens que vão trabalhar de forma complementar para o seu desenvolvimento pessoal.


Do lado de dentro está a primeira, a disciplina: uma postura ativa, uma atitude em relação ao que acontece dentro das fronteiras do meu ser. Com ela, me torno responsável e consciente de tudo aquilo que está ao meu alcance: me conscientizo dos meus pensamentos, respiração, corpo e emoções. Me comprometo a amar o momento presente , pois sei que ele é o único tempo em que posso agir.


Já, do lado de fora, está o desapego. Uma atitude necessária em relação ao que acontece no exterior. Aqui, percebo que qualquer sensação de controle é ilusório, pois tudo é mutável e complexo, com infinitas variáveis. Reconhecendo isso, sou capaz de me abrigar na paz interior; assumindo uma postura de entregar, confiar e observar.


Em outras palavras: nem todas as situações estão sob o meu controle; a única coisa que comando 100% é a minha reação em relação aos acontecimentos. A disciplina é uma esforço de me manter íntegrx e firme, mesmo em condições adversas e variadas.

Seja você um praticante iniciante ou avançado, é importante saber: a disciplina se constrói todos os dias. Não é algo que, uma vez adquirido, será seu para sempre. É um trabalho constante e, ouso dizer, um dos mais desafiadores e importantes de ser feito.


No final das contas, estamos falando aqui de duas habilidades super complexas: gerir seu tempo (recursos tão escasso e precioso nos dias de hoje) e dançar com as variações de emoções/momentos de vida. Uma bela oportunidade de desenvolver o autoconhecimento e observação.


A importância de manter-se firme na prática é cultivar um "norte", um porto seguro de calma e tranquilidade, um espaço interno de nutrição e proteção, que te coloca no centro, que te recarrega as energias. Essa fundação forte é capaz de te preparar para lidar bem com todo o resto que é variável, flutuante, incontrolável. Como o professor Iyengar explica na seguinte metáfora: "a chama não oscila onde não há vento".

A sua prática pessoal é esse lugar protegido; e lá fora, está a ventania da mente e dos acontecimentos.

Namastê!

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