Sobre FALAR baixo e ANDAR descalço

Quando eu trabalhava em escritório no centro da cidade, dois detalhes na rotina me incomodavam muito – coisas pequenas, bobas – mas que, aos poucos, iam minando meu humor do dia: ter que usar sapato fechado e falar alto.

Saía de casa toda dia na beca, mas de chinelo. Na bolsa, o calçado que eu relutava em botar até chegar na porta – literalmente – da empresa. Várias foram as vezes em que eu encontrava os colegas do trabalho (especialmente os de cargos superiores) do lado de fora, no ir/vir e sorria amarelo de nervoso durante toda a conversa, torcendo para que eles não vissem meus pés, sempre sem unhas feitas ou recém amassados pelas sapatilhas, com um medo velado do que iriam pensar.

Em reuniões, era um verdadeiro suplício para mim impostar a voz. Porque não podíamos nos sentar mais perto uns dos outros? Estar num lugar mais intimista? O esforço para me fazer ouvir pela pessoa lá na outra ponta da mesa era tanto que me doía a garganta no final do dia.

Hoje, depois da primeira aula de Yoga que dei pela manhã, um sorriso frouxo me veio ao rosto quando me peguei observando meus pés: livres e descalços em cima do mat. Ao mesmo tempo, me dei conta de que tinha falado durante 1:30, mas o uso da voz – suave e fiel ao que pulsava dentro do meu coração - não me causava a menor dor; pelo contrário, era prazeroso e me deixava feliz. Meus corpos físico e sutil eram um, unidos no serviço de compartilhar o que me move genuinamente no agora.

Sem pensar, fiz essa retrospectiva que escrevo sobre a história dos meus pés e da minha voz. Quando reprimidos e usados de uma forma antinatural, se tornavam um grande incômodo, mas quando entendi que quem estava fazendo mal uso deles era eu, pedi desculpas e agradeci: pelos meus pés largos, porém firmes e pela minha voz baixinha, mas que hoje auxilia corpos e mentes no mergulho em si mesmos.

Então, pense comigo: quais são as coisas que mais te incomodam? Aquilo que você reproduz com sofrimento e que te parece sem sentido. Por menor que seja, observe com carinho o que te veio a mente, dê a devida atenção ao que você sente. Disponibilize-se para investigar o que a sua alma, que se manifesta através do seu corpo, está querendo lhe dizer com isso.


Reconheça o que te parece ruim e movimente-se a partir disso, questione – a todo momento – de onde vem os “mas eu tenho que” que habitam a sua vida. Acredito que nossas dores são nossas forças em potencial, verdadeiros guias no caminho de nos aproximarmos de nossa essência e nos conectarmos com a dádiva que é sentir, o que faz de nós humanos e nos auxilia na missão de SER.

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Namastê,

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